"Estou sozinha. Já é noite e a escola está vazia. Sentada na última mesa, na última cadeira, junto à janela. Olho à volta. O silêncio é frio e gélido. O espaço parece maior que o habitual. As luzes no tecto ofuscam os meus olhos. Serro as pálpebras. Uma imagem surge na minha cabeça. Abro imediatamente os olhos. Não posso pensar nisso. Mas como? Quando cada cadeira me relembra curtos olhares. Quando cada pedaço de parede e de chão me relembra a tua voz. Não sei... Ninguém sabe. Imagino que estás aqui. Imagino os teus olhos a fixarem os meus, mas depressa me censuro e tento limpar a mente. Pode parecer paranóia. Ou talvez até seja... Mas por muito que me doa, o amor é um sentimento bonito. E eu gosto de amar. Sonhar acordada. Criar expectativas. Sentir o coração bater mais depressa. E no fundo gosto de me magoar. Porque quem ama tem de aprender a gostar de sofrer. Porque as pessoas não conseguem viver satisfeitas sem se magoarem.
Um grito de uma última criança interrompe o meu pensamento. Olhei para ela. Ela veio até mim, pôs a mão no eu ombro e disse:
-Porque estás triste?
-Eu não estou... - disse eu esboçando um sorriso.
-Não parece... Fica bem!
Depois disto a criança saiu a correr. Fez-me rir. Uma gargalhada inesperada ecoou pela sala. O silêncio voltou. A melancolia penetrou de novo na minha aura.
Dou por mim a falar sozinha. Estarei louca? Volto a imaginar que estás aqui. E mais uma vez me fixas com o olhar. Imagino as tuas respostas. Riu de possíveis piadas. Choro emocionada com possíveis frases poéticas ditas pelos teus lábios mas provenientes do teu coração. Loucura, sem dúvida. Loucuras justificadas pela palavra amor."
Este texto baseia-se em factos reais que se passaram com a autora e cujos sentimentos são verdaderos, assim sendo, qualquer semelhança com a ficção é pura coincidência

Sem comentários:
Enviar um comentário