"Não olhemos o futuro de frente, pois ao olharmos ele alterasse deixando fugir os nossos sonhos"

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domingo, 12 de maio de 2013

Caneta, talentosa enquanto útil



Que será que fiz eu às pessoas? Que pedaço de mim, tão desprezível, é capaz de as afetar desta forma? É a minha presença assim tão incómoda? Haverá alguém neste mundo capaz de tolerar um espírito tão instável como o meu?
 
O papel está molhado. Há muito tempo que isso não acontecia. Há muito tempo que não havia papel. A tristeza, por muito má que seja, corre na água salgada que alimenta as frases que escrevo. Não, não é a tinta. Isso é só um acessório usado quando é preciso, e quando acaba toda a sua composição é deitada fora, é lixo, inútil. Pelo menos a caneta é boa naquilo que faz, mesmo sendo desprezada no final.


Como saber se o que fazemos está certo? Como se mesmo fazendo-o com o nosso coração, somos apedrejados? Ele fica ferido, sofre em silêncio. Como uma fénix numa gaiola, eu choro curando parte das feridas com as lágrimas, na esperança que alguém veja a verdadeira beleza das minhas penas e a capacidade que tenho para voar. 

Voar. Imagino-me cair dos céus sem apoio. Cair e sentir a queda. Sentir o medo. Esquecer. Sonho abrir as asas no final da queda. Acabo por mergulhar num mar salgado que escorre como uma cascata, caindo como gotas numa folha de papel. 

Pobre caneta, mas como eu a invejo!

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